domingo, 27 de junho de 2010

AS ÁGUIAS AGROENERGÉTICAS – BUSH – atuação dos EUA no cenário bioenergético PARTE 2

          
Em sua visita à unidade da Petrobras em Guarulhos-SP, o ex-presidente George W. Bush afirmou que a produção de etanol (leia-se a produção de biocombustíveis dos quais o etanol é apenas sua fase imediata) é um problema de segurança nacional para os EUA:


Se dependermos do petróleo de fora, temos a questão de segurança nacional. Nossa dependência de “outra pessoa” significa que estamos dependentes de suas decisões. A dependência cria problemas para todos, não só para os EUA. A demanda do petróleo na Índia e na China aumenta o custo do petróleo para nossos países também (BUSH afirma que EUA são "viciados em petróleo”. Folha OnLine, São Paulo, 01 fev. 2006. Disponível em:  http://www1.folha.uol.com.br/folha/mundo/ult94u92159.shtml> Acesso em: 03 jul. 2007).   


Quando os norte-americanos consideram uma coisa importante eles agem. Porém, quando eles vêem algo como “questão de segurança nacional” então suas ações passam a não ter limites (quaisquer tipos de limites). Os capitais dos EUA (muitas vezes com a ação direta e incisiva do seu Estado Nacional) virão em enormes proporções em busca de valorização e serão investidos mundialmente na produção de biocombustíveis sendo nosso país o principal território para tal.

O que está se configurando é uma entrada gigantesca de capitais norte-americanos no Brasil com um processo brutal de desnacionalização da produção bioenergética brasileira (até porque ela ainda é muitíssimo pequena frente ao que virá a ser nas próximas décadas com a aproximação do fim efetivo das reservas de petróleo) através da compra de empresas nacionais (com know how produtivo embutido). Com isso os EUA passarão a deter o completo domínio mundial da produção de biocombustíveis. 

Nós não temos capitais privados à altura de suportar a pressão financeira de uma estratégia de poder norte-americana tida como de segurança nacional. Eles possuem muito dinheiro e pragmaticidade. As propostas de aquisição de empresas nacionais e de áreas para produção serão em cifras impossíveis de serem deixadas de lado por qualquer empresário ou proprietário rural brasileiro. Ademais o real, mesmo valorizado, ainda varia numa proporção de 2 para 1 em relação ao dólar o que dá a moeda americana grande vantagem aquisitiva. Isso sem falar no fato de que a produção agrícola (ao contrário da produção mineral) não possui dispositivos de regulação para entrada de capitais, salvo em áreas de fronteira.

Haverá uma enxurrada de investimentos norte-americanos capitaneados pela atuação estratégica do seu aparato de Estado, que poderá levar à desnacionalização da produção e da pesquisa brasileira de biocombustíveis, nos retirando como eixo do processo de construção da nova geopolítica energética planetária.